Crédito fácil
Quando Marciel Matsumoto, 23, e Isabel, 21, trocarem alianças, em fevereiro, estarão comprometidos pelos próximos seis anos. Não mais só um com o outro mas também com 68 prestações de R$ 683,56.
As novas companheiras são as parcelas do financiamento de um Chevrolet Prisma zero-quilômetro. Na segunda-feira, o casal foi à Viamar retirar o primeiro carro próprio de cada um deles e não precisou colocar a mão no bolso. O primeiro boleto será pago em janeiro.
`Queríamos um carro bom, para usar no trabalho. E o financiamento, para nós, que não tínhamos o capital para a entrada, foi a solução`, diz o representante comercial.
Após seis anos, os Matsumoto terão desembolsado mais de R$ 47 mil -por um carro que, na tabela, custa R$ 31 mil. `Precisamos fazer o negócio dessa forma para manter as parcelas relativamente mais baixas.`
Como Matsumoto, mais e mais consumidores optam pelo financiamento, que registra crescimento acelerado e se solidifica como a melhor alternativa das montadoras para o escoamento da produção.
A diminuição das taxas de juros, a percepção de estabilidade econômica, a maior oferta de crédito e o alongamento dos planos são os responsáveis por essa expansão. Aliás, esse alongamento acaba de registrar novos patamares: a Ford anunciou um plano de 84 meses -o recorde era de 72 meses.
`A tendência do consumidor é buscar planos longos, acima dos 36 meses, que sejam adequados à sua condição financeira`, diz Luiz Montenegro, presidente da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras).
Cuidados
Se financiamentos exigem extremo cuidado para evitar estouros no orçamento, os de carro exigem atenção redobrada.
`Normalmente, para planos com parcelas de R$ 500, a prestação é apenas a metade do custo do carro`, diz Louis Frankenberg, fundador do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros.
`Além do financiamento, há impostos, seguro, gasolina, manutenção. Tudo somado, o custo do carro fica entre R$ 800 e R$ 1.000 mensais. É esse o número que o consumidor precisa ver se cabe no seu orçamento.`
O planejador financeiro Fabiano Calil recomenda cautela, especialmente nas chamadas compras de fim de semana.
`Nesses momentos, age-se de forma totalmente emocional. Nos primeiros meses do financiamento, tudo vai bem. Os problemas começam quando chegam os boletos.`
Por isso a palavra-chave é responsabilidade. `As financiadoras oferecem as opções, mas quem decide a compra é o consumidor. É preciso ter responsabilidade antes de colher o crédito`, aconselha Calil.
Nesse caso, vale o conselho de Frankenberg: `Faça cálculos reais antes de assinar o contrato. Se não cabe no orçamento, não adianta tentar encaixar. Porque, mais cedo ou mais tarde, você ou quebra ou perde o carro`. E isso ninguém quer.
Fonte: Folha On Line. Na base de dados do site www.endividado.com.br
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