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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Gulliver vai trocar brinquedos nas lojas a partir de 1º de setembro

da Folha Online

A Gulliver informou nesta quinta-feira à Folha Online que vai iniciar a troca dos brinquedos Magnetix nas lojas a partir de 1º de setembro. A medida vale para os produtos que já estão nas mãos dos consumidores. Os brinquedos que estão nas lojas estão sendo recolhidos pela empresa desde a última terça-feira (21).

De acordo com a Gulliver, o consumidor que tiver o brinquedo da linha Magnetix com ímãs poderá trocar o produto por outro item da mesma marca ou receber o dinheiro de volta. A troca deverá ser feita na mesma loja onde o produto foi comprado --não é necessário apresentar nota fiscal. Caso o consumidor não saiba a loja, deve entrar em contato com a central de atendimento (0800-7702650).

Depois do recall da Mattel, de brinquedos com ímãs que oferecem perigo ao serem inaladados ou ingeridos, a Gulliver decidiu recolher os produtos pelo mesmo motivo.

Embora admita o recolhimento do produto e o ressarcimento do consumidor, a empresa nega que esteja realizando um recall, já que, segundo ela, não recebeu nenhuma informação de acidentes ou problemas provocados pelos brinquedos no Brasil. A empresa também afirma que a linha foi certificada pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial).

Foto do brinquedo Magnetix, da Gulliver, que está na lista de trocas da empresa
A Gulliver informou nesta quinta-feira, por meio de nota, que ampliou o horário de atendimento pelo 0800-7702650. O serviço foi estendido aos finais de semana, das 8h às 17h45. A fabricante também comunicou que atualizou seu site, para esclarecer sobre o procedimento.

A Gulliver vendeu 35 mil itens da linha Magnetix no Brasil em 2006 --são brinquedos com esferas metálicas e hastes plásticas com ímãs em suas extremidades que permitem que as crianças montem objetos. O produto é fabricado na China pela empresa canadense Mega Brands e vendido aos brasileiros pela Gulliver.

A linha Magnetix foi modificada em 2006, de acordo com a empresa, mas lotes remanescentes da versão anterior do brinquedo ainda estão no varejo. A Gulliver não sabe informar, entretanto, a quantidade de itens que estão nas lojas.

Nos Estados Unidos, o recall ocorreu após a agência que protege a segurança dos consumidores --a CPSC (Comissão de Segurança de Produtos ao Consumidor, www.cpsc.gov)-- constatar 29 acidentes com os ímãs. Uma criança morreu e outras 28 tiveram de passar por cirurgia --um caso foi por aspiração, e os demais, de danos ao intestino das crianças que engoliram os ímãs. Ao menos 1.500 incidentes foram reportados ao órgão desde então. No Brasil, segundo a Gulliver, não houve casos semelhantes.

Opinião

Maria Inês Dolci, do Pro Teste, diz que a empresa "tem de anunciar um recall imediatamente e rastrear os produtos com problema no mercado".

Marilena Lazzarini, coordenadora do Idec, reforça que, pelo Código de Defesa do Consumidor, "é crime se a empresa tiver conhecimento de um problema nocivo e deixar de informar aos consumidores e às autoridades". No Brasil, diz, foram feitos 30 recalls neste ano. Nos EUA, foram mais de 500.

Para Paulo Arthur Góes, diretor de fiscalização do Procon-SP, a empresa não pode esperar ocorrerem incidentes para fazer recall. "Se foi feito nos EUA, deveria ter sido feito aqui". Ele informou que o Procon-SP notificou a empresa para que preste esclarecimento e que a Gulliver pode ser multada em até R$ 3,2 milhões se ficar comprovada a necessidade de recall.