Por Fábio Lopes
Pessoas bonitas, vidas perfeitas e um produto ou serviço mágico, com poder transformador. Nos televisores, rádios e outdoors, a publicidade apresenta todos os dias a solução para qualquer tipo de problema. E não é que acreditamos? Mas não deveríamos.
A publicidade é o instrumento utilizado pelos fornecedores para convencer alguém da necessidade de adquirir um produto ou de contratar um serviço. Após um estudo de mercado destinado a avaliar o público alvo, a publicidade é criada com o fim de provocar o interesse do consumidor e transformar o desejo em ação de compra.
O grande problema reside quando a publicidade é utilizada para nos influenciar a agir de forma inconsciente. Somos induzidos a comprar em razão da promessa velada de uma sensação prazerosa ou pela criação de uma necessidade inexistente.
A publicidade de cerveja é um exemplo de compra pela sensação despertada. Invariavelmente, nos comerciais aparecem mulheres muito bonitas. E isso não é sem motivo. Os setores de marketing das cervejarias sabem que os homens formam o maior grupo de consumidores do produto e, para incentivar a venda, apresentam a promessa de ter o mesmo prazer de estar com aquelas modelos ao desfrutar da cerveja.
Em relação à criação de necessidades inexistentes, o processo de publicidade consiste em apresentar uma situação-problema, inserir o consumidor-alvo em seu contexto e convencê-lo da necessidade de adquirir o produto ou o serviço para alcançar a felicidade.
Ocorre que, ao criar necessidades, a publicidade pode gerar frustrações nas mentes menos atentas. O ter se torna condição de ser bonito ou aceito socialmente e, com isso, o consumidor se sente infeliz e imperfeito.
O Código de Proteção e Defesa do Consumidor (Lei n.º 8.078/90) proíbe em seu artigo 37 a publicidade enganosa e a publicidade abusiva. A lei não permite difusão de informações falsas ou a omissão de dados essenciais à formação da vontade do consumidor e a veiculação de comerciais contrários à ética social.
Entretanto, o limite entre a publicidade legal e a ilegal é muito tênue, principalmente quando o parâmetro de avaliação é a ética. A legislação não permite aproveitar-se de idosos e da ingenuidade das crianças, pois, em razão de suas características, esses grupos de pessoas são facilmente manipuláveis. E os outros consumidores? Também não são manipulados por publicidades que trabalham com o inconsciente? É ético influenciar as pessoas a comprar a fim de que se tornem bonitas, inteligentes e felizes? Não nos parece, mas esse tipo de comercial continua a existir sem nenhuma repreensão estatal ou por parte da auto-regulamentação.
Diante disso, não nos resta outra coisa a não ser ter atenção. Questionar é mais difícil que acreditar nos fatos apresentados pela publicidade, mas é essencial para não ser manipulado.
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Publicidade Cidadã